Publicada em: 23/11/2005 às 00:00 |
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Estados Unidos: Condenado à morte, fundador dos Crips gera polêmica ao defender o não envolvimento de crianças com gangues
No último sábado, celebridades como o rapper Snoop Doggie Dog fizeram uma manifestação contra sua execução do lado de fora da Prisão de San Quentin, na Califórnia. Com nove livros infantis publicados nos últimos anos, todos defendendo o não envolvimento de crianças com gangues, Tookie foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2001 pela sua luta contra a violência. Oito anos antes, ele foi responsável por uma espécie de tratado de paz entre Crips e Bloods, grupo rival, também de Los Angeles. O acordo ajudou a diminuir o número de mortos na guerra entre as gangues. Autoridades americanas, no entanto, acusam Tookie de continuar comandando os Crips mesmo da prisão. Sem mesa nem cadeira Tookie escreveu seus nove livros infantis sentado na cama da cela e usando lençóis como uma espécie de mesa improvisada. Outra curiosidade é que a grande maioria das publicações tem o mesmo subtítulo: “Tookie alerta contra a violência das gangues”. O público alvo são crianças de até 10 anos. Em entrevistas recentes, Tookie contou que começou seu envolvimento com gangues de rua aos seis anos - “em busca de reputação”, segundo ele. Seu objetivo agora é espalhar para o mundo que não existe glamour na vida do crime.
No livro, “Life in prison (“Vida na prisão”), Tookie falou sobre a dura realidade das prisões: “Preso, sozinho, apenas com um rádio, lençóis, um livro ou uma revista, e alguns sanduíches. Falo com minha família através de uma porta, mas ela nunca se abre”. Tookie diz que sua vida mudou quando ganhou um dicionário de presente de um padre. “Eu me apaixonei pelas palavras”, disse. Em 1993, outro fato importante marcou sua vida: Tookie conheceu a jornalista Bárbara Becnam, que o convidou a escrever a história dos Crips e Bloods. Becnam é hoje a conexão de Tookie com o mundo fora da prisão. Ela é também co-autora e editora da sua autobiografia, “Anger in blue, redemption in black” (“Raiva em azul, redenção em negro”) e cuida do seu site pessoal (www.tookie.com). Indicação ao Prêmio Nobel Foi através de Becnam que Tookie descobriu que os Crips são conhecidos internacionalmente em lugares tão distantes e diferentes quanto África do Sul, Belize, Suíça ou Somália. Encorajado pela jornalista, Tookie lançou na Internet um projeto para estimular a cultura de paz nas ruas. A iniciativa rendeu a ele indicação ao Prêmio Nobel da Paz em 2001. O principal responsável pela sua indicação foi Mario Fehr, membro do Parlamento da Suíça, que falou sobre sua influência no combate a violência. “Não importa quantos erros ele tenha cometido no passado, o importante é que ele conseguiu mudar o rumo da sua vida e hoje pode influenciar milhares de jovens a fazer o mesmo”, disse. O novo perfil de Tookie inspirou ainda o filme “Redemption” (“Redenção”), estrelado pelo ator Jammie Foxx, em 2001. O longa-metragem é baseado na sua autobiografia. Clemência Autoridades americanas continuam não acreditando numa suposta “redenção” de Tookie - que ainda hoje se recusa a identificar supostos integrantes dos Crips. Segundo oficiais de penitenciárias de Los Angeles, ele comanda os Crips mesmo da prisão e mantém uma conta bancária altíssima com dinheiro do crime. Ele se defende dizendo que são apenas doações. A polícia de Los Angeles confirma a versão de Tookie dizendo que não há nenhuma prova sobre seu envolvimento com atividades criminosas nos últimos anos. As chances de Tookie receber clemência do governador Arnold Schwarzenegger são reduzidas. Até hoje, ninguém saiu com vida do corredor da morte na Califórnia. Fontes: BBC News, CNN, The New York Times Magazine, www.tookie.com |
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