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Crianças de rua e gangues em cidades da África
Redação COAV

Em comparação a outras regiões do mundo, o problema das crianças de rua é um fenômeno novo na África, comenta o coordenador do Programa de Gerenciamento Urbano da ONU, Dinesh Meta, na introdução do estudo “Crianças de rua e gangues em cidades africanas: indicações para os governos locais”. Ao contrário da América Latina e da Ásia, a África Subsaariana ainda é predominantemente rural e apenas 30% da população vive em cidades. A região, contudo, apresenta a taxa de urbanização mais rápida do planeta.

 

A reboque da rápida urbanização e do aumento da população carente nas cidades, surgem problemas e desafios bem conhecidos na América Latina e na Ásia: “favelas e invasões de terrenos com casas superpovoadas e desprovidas de saneamento e serviços básicos”. Os problemas do crescimento urbano são geralmente agravados pelo número alarmante de casos de Aids (e de órfãos da doença) e pelos conflitos violentos que há decadas se travam em vários países da região, envolvendo crianças de diversas maneiras, inclusive como soldados. Segundo Meta, muitas crianças vão para as ruas em busca de oportunidades e melhores condições de vida. “O crescimento acelerado do contingente de crianças de rua tem deixado perplexas muitas das autoridades locais. A situação requer atenção e ação urgentes”.

 

Um exemplo é a comunidade “negra” (em que houve miscigenação) de Cape Flats, na África do Sul. Situada próxima à Cidade do Cabo, trata-se de uma imensa área de conjuntos habitacionais decadentes onde campeiam conflitos entre gangues, crime, pobreza e desemprego. Muitas das crianças e jovens dessa comunidade estão envolvidas com o crime organizado e a violência armada, fenômeno que tem sido investigado pelo pesquisador da COAV Ted Leggett. Há vários programas desenvolvidos por ONGs e por instituições nacionais para crianças de rua e crianças envolvidas em gangues. A maioria, contudo, tem efeito paliativo uma vez que assiste apenas às crianças, ou seja, cuidam dos sintomas e não das causas do problema.

O artigo a seguir foi extraído do estudo “Crianças de rua e gangues em cidades africanas: indicações para os governos locais”, publicado pelo Programa de Assentamentos Humanos das Nações Unidas (Habitat). A autora Lynette Ochola trabalhou com crianças de rua na África por mais de dez anos, período em que desenvolveu uma abordagem holística da reabilitação de crianças de rua e crianças envolvidas com gangues.

Leia a íntegra do estudo (em inglês): Introdução e índice

Crianças de rua e gangues em cidades africanas: indicações para os governos locais


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