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A solidariedade violenta das “pandillas”
María Santacruz Giralt

27 de janeiro de 2004 - Um dos objetivos do estudo “Barrio Adentro”, elaborado por María Santacruz Giralt, do Instituto Universitário de Opinião Pública de El Salvador, foi  chamar a atenção para os tipos de atividades em que os jovens membros de gangues juvenis (pandillas, em espanhol) se envolvem.

 

A análise dos dados da pesquisa permite não só uma melhor descrição das agressões que estes jovens (de ambos os gêneros) sofrem e praticam, como também de seu meio ambiente e de suas experiências dentro da gangue. Outro objetivo do estudo, segundo a autora, é que estas informações ajudem a formular políticas públicas para prevenir o problema.

 

Segundo estatísticas do estudo, são 134,2 mortos por arma de fogo a cada 100 mil jovens entre 20 e 24 anos, e 80,4 mortos pela mesma causa a cada 100 mil jovens entre 15 e 19 anos. É dentro dessas faixas etárias que se encontra a grande maioria dos membros de gangues.

 

Ainda que os números sejam altos, a autora assinala que é um erro crer que as ‘pandillas’ sejam a única expressão de violência juvenil e delinqüencial no país. Ela também afirma que o fenômeno não é novo, portanto não se pode atribuí-lo apenas a fatores relativamente recentes como a guerra vivida no país e a deportação massiva de jovens residentes em Los Angeles.

 

“O fenômeno das pandillas em El Salvador, assim como sua expressão em outros países da América Central, é produto de condições sociais e culturais que vêm se desenvolvendo ao longo dos anos”, observa.

 

Resultados

 

O estudo foi realizado entre pandillas de adolescentes e jovens da área metropolitana de San Salvador, capital de El Salvador. As razões que levam um jovem a se envolver nas gangues foram um dos temas abordados, e as respostas mostraram que os três principais fatores que os levam a entrar em uma pandilla são: (1)  "vacilar" (termo que pode ser interpretado como um misto de “vadiar”, “matar o tempo” e “se divertir”), (2) problemas familiares e (3) pressão dos amigos.

 

Entre os pandilleiros entrevistados que usam drogas, as drogas preferidas são a maconha, o álcool e o crack, respectivamente. A razão mais comum entre os homens para sair de uma pandilla é “querer mudar sua vida”; e para as mulheres, a família.

 

Além de indagar aos jovens os motivos que os levam a procurar as gangues, o estudo buscou comprovar as razões que verdadeiramente influenciam na opção pelas pandillas. O resultado mostra que há razões internas e externas para esta escolha. Os fatores externos são condições de vida desfavoráveis, que incluem pobreza, exclusão social,  superpopulação (e más condições de habitação), falta de acesso aos serviços sociais e públicos, desemprego, incapacidade do sistema educativo para relacionar-se com a juventude de alto risco, experiências com a violência em nível comunitário e social, e uma cultura onde a violência prevalece.

 

Os fatores internos estão relacionados ao lar, como o descuido, a falta de uma relação afetiva mais profunda entre pai/mãe e filho/filha, ter testemunhado ou sofrido violência doméstica, e o convívio com o castigo físico como prática educativa.

 

“Os jovens entram nas pandillas porque acreditam que têm algo a ganhar. Nelas eles aprendem as regras das ruas, ambiente onde estão expostos à violência e podem ser agressores ou vítimas. Lá também aumentam seu acesso a drogas e acabam adotando um estilo de vida insalubre. O uso da droga aumenta a violência”, opina Giralt.

 

Leia mais:

O artigo completo (original em espanhol).


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