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ONU: Violência ligada à droga é ‘desafio nacional’
Redação COAV

8 de março de 2004 - O Brasil é citado nas primeiras páginas do novo relatório do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, órgão das Nações Unidas, como um exemplo da violência causada pelas drogas. Segundo o documento, boa parte dos 30 mil assassinatos que ocorrem por ano no país está relacionada ao tráfico ou ao uso de drogas. “A violência relacionada com as drogas é um desafio nacional particularmente sério, que tem um grande impacto nas comunidades”, diz o relatório.

 

O trabalho afirma também que o mercado ativo de drogas no Brasil envolve mais de 20 mil traficantes e entregadores, entre eles milhares de crianças de 10 a 16 anos.


Documento diz que meninos de rua são vítimas

Ao se referir à situação do Brasil, o documento diz que meninos de rua, usados como aviões do tráfico, são vítimas constantes. Seja porque sabem demais, porque roubam ou porque são atingidos pelo fogo cruzado de traficantes. São exemplo das conseqüências das drogas nas comunidades.

— A situação no Brasil é a que se encontra em muitas grandes cidades, na África e na Ásia. É um fenômeno que não se explorou muito até agora — disse o Giovanni Quaglia, representante no Brasil do escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODP).

Países pobres sofrem mais com violência

 

O relatório, apresentado no dia 03 de março no Palácio do Planalto, analisa o que classifica de violência no nível micro — causada pelo uso e tráfico de drogas nas pequenas comunidades, onde as pessoas são obrigadas a conviver com ameaças e mortes na porta de casa.

Essa é a situação vivida nos países mais pobres, que, mesmo não sendo os maiores consumidores de drogas, são os que mais sofrem com a violência diária relacionada ao tráfico. O círculo vicioso que se forma nessas comunidades torna ainda mais difícil a entrada do Estado.

 

De acordo com o relatório, comunidades com alto índice de desemprego, sem atendimento social, lazer ou oportunidades, são as mais suscetíveis. O resultado é o surgimento de uma economia paralela cada vez mais difícil de erradicar, já que a droga, de alguma forma, garante parte da economia da região.

— Não podemos analisar apenas pelo caminho da pobreza. Lógico que o ideal seria não haver favelas, não haver um ambiente que favoreça a disseminação do tráfico. Mas temos que lembrar que a maior parte das pessoas que vivem na pobreza não está envolvida com o tráfico — disse Quaglia.

Entrar nessas comunidades e oferecer às pessoas meios de quebrar esse círculo é a receita apontada pelo Conselho para melhorar essa situação. Um dos projetos que o UNODP está fazendo no Brasil é em parceria com a prefeitura do Rio para melhorar o atendimento social nas favelas cariocas.


Brasil não é apenas rota de narcotráfico 

Quaglia revelou ainda outra preocupação em relação ao Brasil: o aumento constante do consumo de drogas. De um país de baixo consumo há cinco anos, que servia basicamente como rota de passagem para o tráfico internacional, hoje o Brasil já está entre as nações que registram um consumo de entorpecentes considerado médio.

 

— Este fato obriga as autoridades a desenvolver, com a maior urgência, um trabalho de prevenção e de mobilização de toda a sociedade civil, para travar os rumos desse assustador comércio ilícito — disse o representante do UNODP.

 

Para Quaglia, a solução depende muito das ações do governo e da sociedade civil. “Precisa de muito trabalho, tanto na área da prevenção primária, secundária e terciária como na melhoria da eficácia da polícia e da justiça no Brasil”, recomenda.

 

Fontes: O Globo (3 de março de 2004), UN Information Service (27 de fevereiro de 2004).

 

Leia mais: Relatório completo com versões em inglês, espanhol e francês.

 

Ducumento de referência do Escritório da ONU para Drogas e Crime (UNODC) sobre o Brasil.


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